Venda de produtos próximos ao vencimento avança 200% e reduz desperdício

Venda de produtos próximos ao vencimento avança 200% e reduz desperdício

FONTE: 6 MINUTOS – https://6minutos.uol.com.br/coronavirus/venda-de-produtos-proximos-ao-vencimento-avanca-200-e-reduz-desperdicio/

Por: Sara Abdo

A crise do coronavírus já dura alguns meses e pelo menos por enquanto está mudando o hábito do consumidor – tanto na frequência de compras quanto no valor que ele está disposto a pagar.

Na outra ponta, os supermercados, distribuidores e indústria tentam entender o momento e aos poucos adaptam produção e estoque de produtos essenciais como alimentação, bebida e bens de consumo para higiene pessoal e limpeza.

Enquanto o varejo tenta acertar a quantidade de compra para não faltar nem sobrar itens, a indústria evita perder produtos por vencimento da validade. Os dois setores têm recorrido à XPrajá, que integra supermercados que precisam comprar, a indústrias que querem desovar o estoque.

Entre março e maio, as intermediações feitas pela empresa aumentaram 200% na comparação com igual período do ano passado. Isso ajuda a reduzir os preços e o desperdício.

Por que isso importa para o consumidor? A mercadoria fica mais barata e as gôndolas completas de produtos alimentícios, bebidas, de higiene pessoal e limpeza. Alguns exemplos são macarrão, chocolate, café, xampu, desinfetante, e a explicação é de Vinicius Abrahão, fundador da XPrajá, criada em 2017.

Me dá um exemplo de mercadoria mais barata? Um xampu custa R$ 20 na gôndola e saiu da indústria valendo R$ 8. Mas se está perto do vencimento, – entre três e quatro meses, a indústria o vende por R$ 4 para o supermercado.

O cliente vai continuar comprando por algo entre R$ 18 e R$ 20 até que o produto esteja a uns 60 dias da data de validade. A partir disso, o supermercado vai reduzindo o preço. E vende por um mínimo de R$ 13, por exemplo.

Segundo Abrahão, a lógica do negócio é reduzir os desperdícios e perdas da indústria, ampliar a margem e rotatividade nas gôndolas dos supermercados e oferecer um leque de produtos mais completo e barato ao consumidor. “A XPrajá integra a indústria ao consumidor final”.

E quem são os clientes da XPrajá? Da indústria, Unilever e P&G, por exemplo. Na frente de supermercados e distribuidoras, os de médio porte, com faturamento anual entre R$ 20 milhões e R$ 3 bilhões. São mais de 400 clientes, espalhados por 16 Estados.

E como a empresa operacionaliza isso? Nas palavras de Vinicius Abrahão, fundador da XPrajá, é como se fosse a Uber: “A Uber não tem motorista nem carro. Mas criou um sistema que integra oferta de motoristas a demanda de passageiros”.

Ou seja, a XPrajá desenvolveu um sistema em que as indústrias jogam no software informações de seu estoque (produtos, quantidade, validade). E os varejistas também inscrevem suas demandas. Cabe aos próprios empresários checarem as informações e fazerem o pedido e a oferta. A Xprajá não opera o transporte de cargas.

A rentabilidade da empresa avem das taxas cobradas dos supermercados e distribuidores a cada compra no estoque das indústrias.

Qual o efeito da pandemia nas contas da Xprajá? Aumentou a busca por produtos em promoção na indústria. Produtores e varejistas percebem que o consumidor não vai mais pagar R$ 25 em um shampoo, por exemplo. Mas topa pagar R$ 15. Essa mudança na demanda do consumidor impõe novas estratégias de venda da indústria e dos supermercados.

No ano passado, a XPrajá registrou a negociação de 90 milhões de produtos. Antes da pandemia, a projeção era que o número aumentasse para 100 milhões. Mas deve crescer mesmo é para 150 milhões de produtos negociados até o fim de 2020.

Na prática, como tudo isso funciona? Tudo começa na indústria. Quando os produtos estão entre 4 e 6 meses da data de validade e ainda não foram para supermercados e distribuidoras, eles já entram na “data crítica”. Se não forem vendidos, vão para o lixo.

Mas a indústria, como Unilever, dona da Hellmans, Omo e Close Up, e P&G, dona das marcas Pantene e Ariel prefere vender a uma margem reduzida em cerca de 80%, do que jogar fora e perder todo o investimento – o processo de destruir o produto e fazer o descarte é despesa extra e gera mais lixo.

  1. A indústria checa os produtos que se encaixam nessa “data crítica”, acessa o sistema da XPrajá e informa o produto, quantidade, validade do lote fabricado.
  2. Os supermercados e distribuidoras ficam monitorando o sistema. Quando há ofertas que lhes chama a atenção, eles fazem o pedido e decidem com a indústria como será o transporte da carga. Em geral os supermercados compram quando há demanda nos seus estoque ou preços competitivos.
  3. Na gôndola, os produtos são vendidos a preços normais, o que amplia a margem de lucro do supermercado. E à medida em que se aproximam mais da data de validade, vão sofrendo descontos.
  4. O consumidor tem acesso a produtos mais baratos, a depender da data de validade.

Leave a Reply